Yvette Vieira Entrevista o Príncipe

O forte de São José localizado no Funchal é um equívoco jurídico de acordo com as palavras de Dom Renato, que resolveu aproveitar o erro e criar um micro Estado em pleno Atlântico. Uma excentricidade que só foi possível graças ao estado português, que no século passado, decidiu vender este pequeno território com o intuito de arrecadar verbas. Agora, imaginem se ganhassem o euro milhões. Compravam um ilhéu? Venham conhecer o dono do principado da Pontinha.

O que o levou a comprar este local em particular?

Renato Barros: Comprei o território acidentalmente, um dia conheci os antigos proprietários e decidi adquirir o forte de São José. Na altura chamara-me louco, passados 12 anos, continuo a ser louco porque não vendo a ilha.

Quanto custou na altura?

RB: Custou 45 mil euros, há carros mais caros do que o meu país.

Numa das entrevistas que concedeu declarou mais do que uma vez, que o principado teria vários pólos de atracção, nomeadamente uma marina, verifico que nada disso aconteceu.

RB: Portugal tem 800 anos e ainda não encontrou um rumo económico. O meu principado tem apenas dois anos, veja o tempo que disponho para chegar ao lado de Portugal. Aliás, eu penso que os portugueses não se vão extinguir como nação, mas vai ser um povo subalterno de outra potência, porque não tem nada. Costumo dizer aos estrangeiros que Portugal tem três coisas, o Cristiano Ronaldo em Espanha, as bananas, mas nem sequer temos o fertilizante e o sol. De resto, Portugal nada tem, para além, dos políticos que conseguem esconder bem o dinheiro e algum charme. Não diria que são uma camada de aldrabões, porque a população portuguesa não é aldrabona, mas infelizmente a maioria que os governa, aqui ao lado da minha ilha, são.

Não acha que é um contra-senso criticar os portugueses, quando trabalha em Portugal?

RB: De modo algum, eu sou um emigrante. Não é um contra-senso, minha senhora, eu se fosse viver na minha ilha, se destruísse aquelas relíquias, iria arruinar uma parte da história da ilha. Não se esqueça que foi lá que ocorreu a primeira q… do Atlântico. Tudo isso aconteceu na minha ilha. Zarco e a esposa quando chegaram para colonizar a Madeira ficaram lá hospedados, foi o local escolhido de acordo com a história dos descobrimentos.

Mas, existem provas histórias que corroboram esses acontecimentos?

RB: Sim, eles ficaram primeiro em Machico, não se sabe aonde ao certo e no Funchal. Como não sabiam se havia leões, ou elefantes, ou o Alberto João, ficaram na minha ilha e está comprovado esse facto na história de Portugal.

Qual é o futuro do principado?

RB: O futuro não me preocupa. Repare isto não passa de um sonho de um homem, que quis criar um país e não estou a pensar já em fazer parte da história do meu principado daqui a 800 anos como Dom Afonso Henriques. Eu quero viver o meu momento, conforme o que estiver na constituição isso é que vai decidir o futuro do meu país.

Já foi reconhecido por alguma instituição credível ao nível internacional?

RB: Já foi reconhecido pela maior instituição que existe no mundo, que é a minha constituição. Eu próprio reconheço-me como príncipe. A partir daí vale o que vale. Vou dar-lhe um exemplo, a Guiné era reconhecida pelas Nações Unidas como independente e andavam lá os portugueses ainda a mandar. Foi necessário um golpe de Estado para que eles saíssem. Portanto, o que está em causa é força e a guerra. Eles querem que seja violento, para poderem afirmar que sou um terrorista, só que sou pacífico. Estive no serviço militar português apenas vinte minutos. Sou uma pessoa completamente pacífica. Seria um crime para além disso, que para ser reconhecido tivesse que lá viver. Teria muita mágoa em destruir tudo aquilo, quando se pode ter uma casa em qualquer parte do mundo. Tem uma série de relíquias que estão a ser alvo de restauro, falo da parte arqueológica que nunca foram examinadas por especialistas. Seria um crime deitar cimento num local que tem muita história.

Quais são essas relíquias históricas que tanto fala?

RB: Na argamassa e a universidade de Aveiro está a fazer um estudo geológico nesse sentido. Aliás, estão a decorrer escavações, é o primeiro forte a ser escavado, não em Portugal, porque não é um território português, mas no Atlântico por arqueólogos devidamente credenciados, que descobriram vestígios da ocupação inglesa. Foram encontrados também restos de cerâmica e vidro provenientes de uma oficina artesanal, botões de osso, contas de vértebras de peixe para colares, cachimbos, um cadinho para a fundição de balas, projectéis de metal e de pedra, o que justifica por si só a abertura de um núcleo museológico.

Sei que tem visitas guiadas.

RB: Passam em média 15 pessoas por instituição, primeiro ficam receosas porque o Estado português tenta esconder aquele local, os madeirenses não sabem nada sobre aquela história.

Mas, porque haviam de esconder o facto?

RB: Escondem porque é um erro jurídico, porque não é português. O estado vendeu a posse e o domínio. É uma terminologia jurídica do período dos descobrimentos. As pessoas tem a posse do seu apartamento, mas não tem o seu domínio, quem o detém é o Estado Português. Naquele caso, Portugal vendeu a posse e o domínio, isso quer dizer o quê? Que posso fazer o que quiser, posso fazer uma casa de chá, ou um restaurante. Só que o Renato Barros, por causa da atitude das autoridades regionais, decidiu com base na carta régia que está em Londres, criar um Estado e ninguém me pode impedir de o fazer. Uma pessoa que resida num apartamento não pode criar um estado na sua residência, porque não possui a prerrogativa do direito internacional e eu tenho essa a mais-valia. Portugal tem 11 milhões de portugueses e até hoje nenhum governante português veio recriminar a minha atitude. Isso não é estranho?

Se calhar não o levam a sério?

RB: Sou funcionário público em Portugal, deveria ter tido um processo disciplinar porque era louco da cabeça, que é algo que não sou.

Porque decidiu criar um estado? Para chamar a atenção?

RB: Não, eu decidi criar um Estado porque era minha vontade. As pessoas ainda não se aperceberam de uma coisa, que embora pensem que sou louco, eu tenho um documento. Não sou do género de berrar para dar nas vistas, é dizer apenas que aquilo é meu.

Mas, quem o chama de louco?

RB: Eu sou louco e quem não é, não vive. A vida é uma loucura saudável, repare que não ofendo ninguém. O que faço é sozinho e mais Dom Afonso Henrique também o fez e ele não era louco aliás até teve uma estátua depois de morto. Agora existem 11 milhões de portugueses e Portugal que era um país tão pequenino dividiu o mundo a meio.

Entrevista por Yvette Vieira

One thought on “Yvette Vieira Entrevista o Príncipe

  • July 24, 2013 at 12:44 am
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    Força D. Renato Barros, Viva ao Principado Ilhéu da Pontinha.

    Congratulations!
    All the best,

    Joao Jose Silva

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